O nosso concurso poético foi, mais uma vez, um sucesso. Muitos mais prémios haveria a atribuir! Ficam os vencedores, ambos com um honroso primeiro lugar! Parabéns a todos os participantes.
A Presidente do Júri do Concurso
Nazaré Moreira
Nível Básico
DIZ – ME...
DIZ – ME...
Diz-me tu, linda avezinha
Que tens toda a liberdade:
- Como é que tu a sentes?
- Ela dá felicidade?
Diz-me, ò água do ribeiro,
Que fazes o teu caminho:
- É por sentires liberdade
Que cantas, assim, baixinho?
Diz-me, abelha laboriosa
Que voas de flor em flor:
- É bom sentir liberdade?
Conhecer o seu valor?
Diz-me, onda do mar salgado,
Que te espraias a teu gosto:
- Sentir liberdade é bom?
Não pode trazer desgosto?
É que eu não sei por que foi
Que de mim fugiu tão cedo...
Se sabe que a amo tanto,
Porque não me quer? Que enredo?
Maria Rogéria Costa
Nível Secundário
Mar!
Porque me empurras com tal força contra
as rochas?
Porque me apertas em teus braços,
como se eu fosse um passarinho?
Porque me mostras as tuas ondas, sem
contudo eu as poder ver?
Não vi mais que dois palmos de branco
mar,
com sua branca espuma, tecendo mil
desenhos d’encantar!
Naquele dia essa visão encantou-me e,
durante a noite, sonhei que eras meu.
Quando acordei, tive desejos do mar!
Do mar real que se desfaz em espuma,
Que me cega com sua brancura,
Que me embala com seu doce marujar!
Então senti uma tristeza imensa,
Como se todo o ser tivesse partido,
E eu ficasse só!
No infinito tempo,
No imenso espaço cósmico,
Perdido!...
É que o mar deixou de ser virgem!...
São tantos os que te querem conspurcar,
Tantos os que te deitam olhares de desejo
Que o meu espírito treme.
Que a minha alma chora e, quando chora,
escreve.
E dita-me coisas assim!
Faz-me criança!
Até sinto desejos de mamar,
de ser embalado docemente!
Será proibido sonhar?
Senti uma dor profunda,
quando os meus olhos viram
que o mar puro deixou de o ser!
Quando os meus sentidos perceberam que
outros sentiram o que eu gostava de sentir,
quando a ilusão se desfez no mar da tua
espuma.
ENTÃO, TAL QUAL UMA CRIANÇA,
EU TIVE VONTADE DE CHORAR,
de construir um oceano só para mim.
Onde só a brancura das gaivotas
tivesse lugar!
Onde só o rodopio do vento coubesse,
onde só os peixes pudessem amar e
morrer,
sendo senhores absolutos do seu destino.
Onde só navegassem veleiro de brancas
velas!
Onde só tomassem banho
as mais ímpias e puras donzelas!
Onde os seres se amassem, debaixo
da toalha límpida das suas águas,
longe dos olhares curiosos dos que
passam.
Ter-te, ó mar, só para mim,
Tu, esse autêntico paraíso
povoado com os mais lindos e pacíficos
seres!
Será que não posso sonhar?
Sinto desejo de navegar-te em todas as
direções…
Aportar em todos os teus portos.
Mas eu não sou marinheiro!...
DEIXA-ME ENTÃO SONHAR!...
JRS 91 09 20